Janaina critica ações que mantêm Cracolândia ativa e é atacada por ‘lacradores’

Janaina Paschoal
Foto: GERALDO MAGELA/AGÊNCIA SENADO 
 Janaína Paschoal


Deputada coloca o dedo na ferida e deixa uma reflexão no ar que irrita a esquerda e a imprensa: precisamos falar sobre internação compulsória

A deputada estadual Janaina Paschoal (PSL) virou alvo nas redes sociais da patrulha da esquerda e seus satélites na imprensa depois de colocar o dedo em uma ferida aberta na capital paulista: a cracolândia — e tudo o que ela representa para a sociedade. O tiroteio começou quando Janaina jogou luz para uma realidade que muitos tentam esconder sob o manto do politicamente correto: entregar alimentos, roupas, sabonete e doações afins realmente é uma porta de saída para os dependentes que vivem em situação degradante ali?

Ela se referia a uma ação do midiático padre Julio Lancelloti, que faz sucesso na internet sempre que sai de casa para entregar marmitas aos frequentadores da cracolândia no centro de São Paulo. No sábado, 7, a Polícia Militar impediu a equipe dele de entrar na área por riscos de segurança.

Lancelotti é ativista dos direitos humanos e aliado de políticos do PT e do PSOL no Estado, como Guilherme Boulos, e foi um dos entusiastas do programa Braços Abertos da gestão municipal de Fernando Haddad, depois apelidado de “Bolsa Crack” — a prefeitura dava dinheiro e abrigava os usuários em hotéis-cortiços na região se eles varressem as ruas, por exemplo. O tempo passou, o programa acabou estimulando a chegada de novos interessados na bolsa-crack — inclusive traficantes que sabem onde o dinheiro está — e os hotéis tornaram-se inabitáveis pelo horror flagrado nos quartos por agentes públicos durante fiscalizações.

Eu não ataquei ninguém, só estou propondo uma reflexão. Há anos, todos reclamam da Cracolândia, mas ninguém tem coragem de olhar para as ações que findam por colaborar que aquela região siga assim. Alimentar no vício só estimula o ciclo vicioso! Peço que pensem a respeito!

— Janaina Paschoal (@JanainaDoBrasil) August 8, 2021

A maioria dos ataques a Janaina Paschoal partiu de influenciadores nas redes sociais que talvez nunca tenham cruzado a rua Helvetia, nem a Dino Bueno ou precisaram do Terminal Princesa Isabel e da Estação da Luz — mas, se conhecem, talvez até pela opção de poder ficar em suas casas por causa da pandemia, não notaram que o cenário piorou (e muito). O número de furtos de pertences, como celulares e bolsas, e a ausência de zeladoria urbana também pressiona o comércio a fechar as portas.

Se você morasse em Campos Elíseos, tivesse que sair cedo todo dia, sabendo que seus filhos precisam sair para a escola, andando no meio de pessoas completamente “chapadas” pelo crack, como ficaria sua cabeça? Teria tranquilidade para trabalhar? Quem defende essas crianças?

— Janaina Paschoal (@JanainaDoBrasil) August 8, 2021

É claro que o tema é árduo e tem muitos lados — especialmente o da saúde pública. Também é óbvio que nem ela nem ninguém com o mínimo de compaixão estava reclamando da ação social, da caridade e do espírito humanitário. O ponto para reflexão era outro: a maior metrópole da América do Sul não pode ter uma zona de sombra — e aí Janaina Paschoal só falou verdades. Tampouco se tratava de incentivar o uso da força policial sem estratégia nem cautela. Só que é preciso fazer prevalecer a ordem das coisas, salvar quem não consegue mais sair daquele labirinto e encarar o problema de uma vez por todas. Ou a Cracolândia se tornará algo ainda pior do que um Skid Row, um loteamento onde a lei não impera e muito menos o estado de Direito.

É hora — e já passou da hora — de enfrentarmos o debate sobre internação compulsória no Brasil. Pelo bem de todos.

Região da Cracolândia, no centro de São Paulo
 Foto: Reprodução/TV Globo

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